Como meter um botão para partilhar no Diaspora?

É seguir estas instruções:

– Ir às “Definições” > “Partilha” e clicar em “Adicionar novo serviço”
– No form que aparece, pôr “Diaspora*” no “Nome do serviço”,

https://joindiaspora.com/bookmarklet?url=%post_url%&title=%post_title% no “URL de Partilha” e https://ventosueste.files.wordpress.com/2020/10/diaspora_16x16.png* (ou então https://twitter.com/favicon.ico, mas gosto mais do outro) no “URL do Ícone”
– Arrastar o botão a dizer “Diaspora*” para o quadro “Serviços activos”

E pronto, já vai aparecer um botão debaixo dos posts que permite partilhar no Diaspora (ficava mais bonito se abrisse um pop-up para partilhar em vez de um novo separador, mas pronto…)

* E sim, o principal motivo porque pus mesmo um bonequinho do ícone neste post foi mesmo para geral um url para a imagem que depois pudesse usar aqui

A minha mudança para o WordPress – correção

Afinal, eu contrário do que eu dizia aqui, o wordpress.com também tem aqueles botões no fim de cada post para publicar automaticamente nas redes sociais (como já todos os meus dois leitores habituais devem ter percebido).

Agora estou a tentar ver se consigo pôr um botão para partilhar no Diaspora* (ou melhor, o botão já lá está, mas em branco; estou a ver se consigo lá pôr um ícone como este: , que fui buscar aqui).

Os filmes/séries policiais na “bússola política”

Algo que me ocorreu, ainda pensando nisto.

O “Inspetor Harry” na direita autoritária não tem grande dúvida, acho.

O “Zé Gato” na esquerda autoritária admito que já seja mais forçado, mas é o melhor que arranjei – muitos episódios (e a música do genérico) têm o tom “os criminosos escapam porque são ricos e influentes e mexem cordelinhos para a polícia não lhes poder tocar”, que será a mensagem que se espera de um filme policial de esquerda autoritária (enquanto a direita autoritária preferirá “os criminosos escapam por culpa dos advogados, desses leis fofinhas que fizeram e dos jornalistas que estão sempre contra a polícia”); fala também muito da pobreza e da forma como esta leva ao crime, o que reforça a parte do “esquerda”; admito que a parte do “autoritário” é discutível – se por um lado tem a mensagem de “os bandidos safam-se sempre” e o protagonista frequentemente entra em modo “policia durão”, por outro nalguns episódios os seus inimigos são grupos de “vigilantes” ou polícias que perseguem e chantageam ex-reclusos (mas por aí também o “Inspector Harry” safava-se…). Provavelmente é difícil fazer um policial “esquerda autoritária” puro: não é muito fácil conciliar as ideias “é preciso mão pesada” e “as injustiças sociais do capitalismo contribuem para o crime”; bem, é a ideia do slogan blairista “duro com o crime e com as causas do crime”, mas acho difícil usar isso como inspiração artística (demasiado complexo e com demasiada nuance). Uma alternativa seriam filmes a mostrar o antigo bloco de leste a ser infestado por criminosos em consequência do fim do comunismo (eu nunca vi o “Inferno Vermelho“, mas tenho a ideia que parte do enredo gira à volta da ideia que a perestroika estaria a causar criminalidade galopante na URSS – talvez este servisse como exemplo?).

“Os Anjos de Charlie” na direita libertária porque uma ideia-base da série (a começar pela narrativa do genérico) parece ser de que pessoas de grupos historicamente discriminados (como mulheres) terão mais hipóteses no mercado livre do que no setor público; e o perfil de “Charlie” (rico e com um estilo de vida libertino) também encaixa bem aí (mesmo a sua natureza de “jiggle show” parece-me algo que a direita libertária verá melhor que qualquer dos outros três quadrantes). Para reforçar a componente “libertária”, junte-se alguns episódios do tipo (pegando num género bastante popular nos anos 70…) “as detetives infiltram-se em prisões para mulheres em que as reclusas são mal-tratadas pela administração”. E tenho a ideia que num episódio uma das detetives até diz algo como “o Charlie não nos vai despedir porque teria que pagar mais a quem nos fosse substituir”, o que parece o Gary Becker a falar da discriminação.

[Eu já tinha começado a escrever este post quando vi um episódio em que as detetives foram ajudar um xerife de uma pequena cidade que tinha sido proibido de se aproximar de um suspeito porque o tinha agredido, ou coisa assim (não cheguei a perceber bem); isso era apresentado como um erro de que o xerife estava sinceramente arrependido, mas mesmo assim pensei se não poria em causa as credenciais “libertárias” da série; mas logo num episódio pouco depois desse “os maus” eram policias que plantavam provas para incriminar suspeitos e as detetives tiveram grandes dúvidas de consciência se deveriam denunciar alguém aparentemente envolvido em crimes sem vítima, portanto mantive a qualificação]

“Jogo de Audazes” na esquerda libertária – um grupo de vigaristas, que são contratados por pessoas que foram vigarizadas ou prejudicadas por indivíduos ricos e poderosos para os vigarizar a eles; e ainda por cima no episódio final o golpe é roubar informação secreta sobre os banqueiros responsáveis pela crise de 2008. Fundamentalmente, uma série no modelo “bons fora-da-lei que defendem os fracos contra os ricos e poderosos”; com o bónus de parte da série passar-se em Portland, Oregon (uma espécie de capital “antifa”?) e pelo menos alguns dos heróis parecerem-me ter um típico estilo de vida hipster. Admito é que se possam levantar algumas dúvidas se “Jogo de Audazes” conta como “série policial”, mas tanto a wikipedia como o Imdb põem “Crime” no género.

“Rookie” – eu pus no centro, mas onde eu o associo mesmo é aquele centro-esquerda casal Clinton-Joe Biden-Kamala Harris, ao mesmo tempo culturalmente “progressista” e pró-“lei e ordem” – os bons são o departamento da polícia, mas dizendo explicitamente que a polícia é “diversa” (com muitas mulheres e minorias étnicas, e nalguns episódios refere-se mesmo o contraste entre esta nova polícia e os defeitos da velha polícia quase só de homens brancos) e por vezes até é dito que as testemunhas, mesmo que sejam imigrantes ilegais, não têm que ter medo de falar com a polícia porque é uma cidade-santuário e portanto não correm o risco de ser deportadas. E o episódio em que o personagem principal mata um suspeito é exemplar – ele é suspenso enquanto dura a investigação, os colegas comportam-se de maneira totalmente profissional com ele durante o inquérito (nem com grandes solidariedades nem grandes condenações) e no fim o inquérito concluiu que ele teve razão em disparar, acaba a suspensão e continua a sua carreira – é mensagem é claramente “a polícia moderna de Los Angeles tem um protocolo adequado e rigoroso para estas situações – nem se toleram abusos por parte dos agentes, nem os impedimos de fazer o seu trabalho”; compare-se com o típico filme/série de direita autoritária (em que o agente que teve que disparar seria apresentando como uma vítima dos advogados, da imprensa e/ou de agitadores, e os responsáveis da investigação interna apareceriam como uns cobardes que iriam, só por razões políticas, dizer que o polícia era culpado ) ou de esquerda libertária (em que os policias iriam aparecer como uma quadrilha, a se protegerem uns aos outros e até a adulterarem provas para safar o colega). E atendendo que é uma série recente (começou em 2018), aposto que estes fios narrativos não estão lá por acaso, e que a ideia é mesmo fazer uma série com polícias como heróis mas que não surja como “trumpista”.

A dada altura, e pegando na ligação “Jogo de Audazes”-Portland, ocorreu-me se também não haveria uma ligação natural entre Los Angeles tanto com a “direita libertária” de “Os Anjos de Charlie” como com o “centro-esquerda” de “Rookie”, na medida em que penso que é uma cidade culturalmente progressista (tipicamente californiana), mas sem o radicalismo político associado a São Francisco ou Berkeley. Mas depois lembrei-me que os filmes do inspetor Harry passam-se em São Francisco (e não, p.ex., no Texas…) portanto este determinismo geográfico não fará grande sentido, acontecendo simplesmente grande parte do audiovisual dos EUA ser produzido na costa Oeste.

Mas, mesmo assim, continua a parecer-me um sitio como a Califórnia dos anos 70 (que votou tanto em Reagan e na proposta 13 como em Jerry Brown para governador e ainda com muitos ecos da contra-cultura e da “New Age”) era mesmo o local ideal para produzir uma série como “Os Anjos de Charlie”.

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]

Análise às eleições bolivianas

Bolivia – Arce’s decisive victory, por James Bosworth, no Latin American Risk Report.

[O eu linkar não indica necessariamente concordancia]

MAS vence eleições bolivianas

Aparentemente, o candidato do MAS venceu as eleições com maioria absoluta – muito mais do que lhe atribuíam as sondagens durante a campanha eleitoral (mas atenção que ainda estamos também a falar de sondagem à bca das urnas, não do resultado final – mas é provavelmente impossível haver uma reviravolta e a atual presidente não-eleita já saudou Arce, o candidato do MAS, como vencedor).

[Post publicado no Vias de Facto; podem comentar lá]

As eleições de hoje na Bolívia

Beyond the ballot: Where Bolivia’s main political forces stand after a turbulent year, por Carwill Bjork-James:

In this post, I check in on those four political forces with an emphasis on looking beyond their electoral chances. (For a detailed look at the political parties’ standing in the polls, see: Luis Arce (MAS) leads polls heading into Bolivia’s election… but may struggle to prevent a runoff.)

O “hoax” da Cambridge Analytica

Neste momento, já se viu que as histórias que diziam que as vitórias de Trump e do Brexit foram resultado da ação da Cambridge Analytica não passavam de fantasias. Mas, mesmo que fossem verdade, e depois?

Pelo que percebi, a Cambridge Analytica era acusada de ter feito uma operação de tentar ver quem eram os usuários do Facebook mais suscetíveis a votarem Trump/Brexit, e depois bombardeá-los com anúncios pagos. Mas qual é exatamente o problema disso (tirando, claro, o problema geral do uso de publicidade comercial para campanhas eleitorais – algo que é largamente proibido em Portugal, mas creio não não nos países em questão)? Afinal, não é muito diferente do que eu faço quando vou distribuir propaganda do Bloco de Esquerda – também escolho os bairros em que suponho que os habitantes estejam mais predispostos a apoiar o BE .

How the Cambridge Analytica scandal unravelled, por Laurie Clark (New Statesman):

The story had a seismic effect on political discourse. Two of the most unpredictable events in the recent political past – Donald Trump winning the US presidency and Brexit – were pinned on the company. The idea that the electoral system was undermined by CA’s underhand tactics was trumpeted by many factions of the media and political establishment. The argument that the operation amounted to a rupture in the fabric of democracy proliferated.

 

Three years since the scandal began to emerge, such ideas endure. CA is still thought by many to have played a key role in influencing both the Trump and Brexit votes. However, that position has become harder to maintain.​

 

On 2 October a three-year investigation into Cambridge Analytica by the UK Information Commissioner’s Office (ICO) concluded with findings that were underwhelming to many, and devastating to some. After trawling through information including more than 700 terabytes of data seized at Cambridge Analytica’s London offices, the data regulator found no evidence that Cambridge Analytica had misused data to influence Brexit or aid Russian intervention in elections (the ICO had previously passed evidence of a possible Russian IP address to the National Crime Authority).

 

More damning was the finding that Cambridge Analytica wasn’t doing anything particularly unique. The information commissioner, Elizabeth Denham, told parliament that “on examination, the methods that SCL (a company that is corporately interlinked with Cambridge Analytica) was using were, in the main, well-recognised processes using commonly available technology”. This assessment jarred with reporting at the time that had imbued CA with Derren Brown-like abilities to tinker with perceptions and sway credulous masses. (…)

 

But for one of the central claims made about the company – that it had a decisive effect on the Trump and/or the Brexit vote – more evidence has accrued in the negative. Many were sceptical of the true power of Cambridge Analytica at the time, but in parts of the press and political establishment, the company’s supposed democracy-destabilising powers were amplified. Why, in the end, was the truth far more prosaic?

 

In many cases, the protagonists of the CA scandal seemed to have bought into the company’s own marketing spin. In The Great Hack, Kaiser’s remarks (quoted at the beginning of this article) were uncritically relayed, seemingly without any independent analysis of whether what she was saying was true or not. The claim that through targeted ads, CA successfully turned states from “blue to red” is an enormous one, but was there ever any evidence to back it up? A review of the documentary in the Economist at the time read: “So credulous is The Great Hack that if Cambridge Analytica had not shut down, its bosses would be using the movie as a testimonial”.

Em defensa das pilhagens?

A favor – One Author’s Controversial View: ‘In Defense Of Looting’, entrevista com Vicky Osterweil, autora de In Defense of Looting.

Contra – The Pinnacle of Looting Apologia, por Graeme Wood (The Atlantic).

Nova lei de privatizações na Venezuela

Venezuela Weekly: Maduro Leans in to Stealth Privatizations, por e (Venezuelan Politics and Human Rights):

On October 9, the Maduro-controlled National Constituent Assembly (ANC) approved a controversial new measure known as “the anti-blockade law,” which gives the executive branch unilateral authority to confidentially sign new economic deals with private firms and foreign nations.

The government argues that the law will protect foreign investment in the country. The opposition has been critical of the measure, especially of the fact that it was approved by the ANC rather than the democratically-elected National Assembly. In remarks on social media, National Assembly President Juan Guaidó described the measure as “an operation of the dictator to continue looting the country,” which “cannot be called a law.” (…)

A notable element of the response to the measure was the strong resistance from left-wing sectors. These critics argue that the “anti-blockade law” opens the possibility for the privatization of Venezuela’s oil and other natural resources, which are constitutionally protected as publicly owned. Several of these organizations pressed the government to put the law up for a vote in a referendum. While their criticisms went largely ignored by the ruling PSUV, it is a sign of growing dissatisfaction with the Maduro government among actors historically associated with Chavismo.

O arado e o "patriarcado"

A invenção do arado agudizou a desigualdade entre homens e mulheres:

On the Origins of Gender Roles: Women and the Plough, por Alesina A, Giuliano P, Nunn N., Quarterly Journal of Economics. 2013; 128 (2) : 469-530:

The study examines the historical origins of existing cross-cultural differences in beliefs and values regarding the appropriate role of women in society. We test the hypothesis that traditional agricultural practices influenced the historical gender division of labor and the evolution of gender norms. We find that, consistent with existing hypotheses, the descendants of societies that traditionally practiced plough agriculture today have less equal gender norms, measured using reported gender-role attitudes and female participation in the workplace, politics and entrepreneurial activities. Our results hold looking across countries, across districts within countries, and across ethnicities within districts. To test for the importance of cultural persistence, we examine the children of immigrants living in Europe and the United States. We find that even among these individuals, all born and raised in the same country, those with a heritage of traditional plough use exhibit less equal beliefs about gender roles today.

Creio que a diferença aqui é entre sociedade com uma agricultura em que se lavra a terra (as tais que usam o arado) e aqueles em que simplesmente se deitam sementes (possivelmente depois de uma queimada).