A “Web 3.0”

Web3 had better not be Transaction Cost Hell, por Noah Smith

My first impressions of web3, por Moxie Marlinspike

Francesca Bria on Decentralisation, Sovereignty, and Web3

Noah Smith:

But I have a third concern about web3. So far, the main difference between web3 and webs 1 & 2 seems to be that web3 allows you to pay for stuff in cryptocurrency. (…)

This suggests that the main attraction of web3 might not be decentralization, but rather what economists call excludability — it will be stuff people pay for, rather than free stuff.

Currently, the web is monetized mostly by either ads or subscriptions (or by companies offering you free stuff and then selling your data). Over the years, there have been various attempts to switch to a system of micropayments. But despite a few limited successes (e.g. buying one song from a music service), these attempts have generally failed. And I think there’s a very deep and fundamental economic reason why they keep failing: non-monetary transaction costs

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O CDS, a IL e o BE

Finalmente vi o debate CDS-IL; grande parte foi a discutirem qual dos dois é mais parecido com o BE (não sei porquê, fez-me lembrar um dia na primeira classe em que a professora se voltou para um aluno que tinha a mesa toda desarrumada e lhe disse “arruma essa mesa, que isso até parece a mesa do Miguel”).

Mas sobre isso eu tenho uma teoria talvez um bocado esquisita – que em muitos aspetos a esquerda das “causas fraturantes” está mais próxima da direita conservadora do que direita liberal. Parece totalmente contra-intuitivo, mas há anos que estou pensando escrever uma série de posts sobre o assunto (pode ser que algum dia os escreva, mas para aperitivo podem ler isto, isto ou até isto).

As formigas e o socialismo

Consta que o recém-falecido E. O. Wilson disse “”Karl Marx was right, socialism works, it is just that he had the wrong species”; mas um sistema estilo URSS acho que nem com formigas funcionaria – creio que a sociedade dos insetos sociais é mais parecida com uma economia descentralizada com 100% de impostos do que com uma economia centralizada.

O fim da URSS abriu portas ao capitalismo “neoliberal”?

É frequente em certos sectores dizer que o colapso da URSS abriu as portas ao capitalismo desregulado no ocidente, porque os capitalistas deixaram de ter medo do socialismo e portanto sentiram-se mais à vontade (p.ex., este artigo do João Rodrigues nos Ladrões de Bicicletas parece-me ir nessa linha); acho que isso é completamente a-histórico: a grade viragem “neoliberal” no ocidente, com Thatcher no Reino Unido, Carter e Reagan nos EUA, mesmo até certo ponto Kohl na Alemanha ou até Cavaco Silva em Portugal foi antes do fim da URSS.

(vamos lá ser realistas – Alguém acredita a sério que por volta de 1985* os capitalistas de algum país ocidental desenvolvido ainda estariam com receio de alguma revolução socialista no seu pais?)

Se alguma coisa, eu diria que o fim do “socialismo real” até foi seguido por uma ligeira viragem à esquerda no ocidente nos anos a seguir, até porque a direita perdeu o argumento “votem em nós para termos um exército forte que nunca se sabe quando o urso pode atacar“.

*Eu estive inicialmente para escrever “1980”, mas depois ocorreu-me que no Reino Unido, por essa altura, talvez houvesse realmente algum medo de uma revolução socialista (e também medo e rumores de um golpe de direita em preparação…). De qualquer maneira, não só esse medo não levou o capitalismo britânico a moderar-se (muito pelo contrário – fui uma das causas da ascensão de Thatcher), como penso que aí os agitadores eram sobretudo trotskistas e afins (logo a existência da URSS pouco interessava para aí).

Libertários: Left & Right: E10 Roma

Eu e o Carlos Novais conversando sobre Roma, nomeadamente sobre as lutas políticas (Populares vs. Optimates) nos últimos anos da República.

A conversa foi em parte inspirada por uma “bússola política” que eu fiz há uns anos (com lacunas que são discutidas no vídeo):

O porquê da associação entre o populismo de direita e o “covid-negacionismo”

Eu ainda estou na dúvida se a associação (que parece global ou quase) entre o populismo de direita e o “o covid é só uma gripe” foi um puro acidente (o Trump ter começado com isso e a partir dai todos os seus fãs mundiais terem ido atrás) ou tem mesmo raízes profundas.

A favor da hipótese “acidente”, temos que inicialmente os intelectuais da alt-right eram dos mais preocupados com o covid, e à partida seriam os mais entusiastas de fechar fronteiras e dar mais poderes à policia;  e em Portugal, o Chega era quem queria mudar a constituição para permitir o internamento compulsivo e depois quem queria planos de confinamento para os ciganos.

Nesse cenário, o “negacionismo” inicialmente viria mais da velha ala “liberal econômica” dos Republicanos, e tendo sido Trump eleito pelos Republicanos, acabou por promover essa linha (e assim, o “negacionismo” acabou associado ao “trumpismo”, para o bem e para o mal).

A favor da hipótese “raizes profundas”, temos que os sectores mais afetados pelas medidas anti-covid (pequenos negócios cuja atividade implique lidar com pessoas ou com o mundo fisicod) são frequentemente um bastião do populismo de direita e isso veio a associar as duas posições, enquanto a direita clássica liberal-conservadora e a “esquerda moderna” têm empregos de elite em que facilmente se fecharam em casa a teletrabalhar e a acabar o mês com a conta bancária muito maior porque não gastaram dinheiro em gasolina, logo podem dar-se ao luxo de ser covid-falcões.

Além disso, o discurso “estão com medo de uma gripezinha?” joga bem com a pose “macho man” que a direita populista gosta de cultivar; e, de qualquer maneira, o populismo joga bem com desconfiar do establishment médico (é verdade que essa desconfiança poderia dar tanto para o “negacionismo” como para “o covid é muito mais perigoso do que dizem” – mas a partir de abril de 2020 também não havia muito espaço para ser mais covidista que o establishment; antes havia, com a questão das máscaras).

De qualquer maneira, ainda há resquicios dessa ambivalência – a crise na candidatura do Chega Portimão parece-me ter sido em parte por isso, com o 1º candidato à câmara a ser afastado, entre outras razões, por ter tido um conflito com a policia nalgo relacionado com as medidas anti-covid.

Libertários Left & Right E9

Hoje o ponto de partida foi o artigo de Diogo DuarteA privatização da liberdade: usos e desvios contemporâneos das ideias libertárias” (e sim, as próprias conversas “Libertários Left & Right” podem ser vistas como um desses desvios contemporâneos das ideias libertárias)

 

O anarquismo individualista e o anarco-capitalismo

Ainda a respeito do artigo de Diogo Duarte sobre o novo uso da expressão “libertário”, e pegando no facto referido de os anarco-capitalistas e libertários de direita frequentemente evocarem Tucker e Spooner, deixo aqui dois links com posições opostas: “Section G — Is individualist anarchism capitalistic?”, do Anarchist FAQ, enfatizando o anticapitalismo do anarquismo individualista; e Against Anarchist Apartheid, pelo anarco-capitalista Roderick T. Long, enfatizando as semelhanças.

Há algum tempo que penso escrever algo sobre isso; pode ser que alguma vez o faça – mas digo desde já que a distinção entre anarquista individualistas e anarco-capitalistas seria mais fácil se simplesmente mudássemos Spooner de campo.

Sobre a recente mudança de sentido da palavra “libertário”

A privatização da liberdade: usos e desvios contemporâneos das ideias libertárias, por Diogo Duarte.

Imaculada Conceição