Multiplicadores, deficits, etc.

Alí em baixo, o CN escreve:

Se estamos a falar de “por mais dinheiro a trabalhar que estava parado” voltamos à questão de que dinheiro parado ou a trabalhar só tem efeitos duradouros no nível geral (seja o que isso for) de preços nominais e não na actividade económica.

A grande questão é quanto tempo duram os efeitos não-duradoros de “por dinheiro parado a trabalhar” ou de “parar dinheiro que estava a trabalhar” – a longo prazo é de esperar que isso apenas altere os preços nominais, mantendo na mesma o valor real do dinheiro em circulação; mas até essa mudança de preços ocorrer, essas oscilações entre dinheiro “parado”/”a circular” deverão causar alguns efeitos na economia real.

Ora, quanto tempo é o “não-duradouro”? Dias? Semanas? Meses? Anos? É que “se uma carrada de gente guardar o dinheiro no colchão, os preços descem em poucos dias e a economia volta ao nível normal” não é exactamente a mesma coisa que “se uma carrada de gente guardar o dinheiro no colchão, os preços descem em meia dúzia de anos e a economia volta ao nível normal“.

No fundo, a polémica na macroeconomia nos últimos 60 ou 70 anos gira à volta disto – o nível geral de preços ajusta-se quase instantaneamente a choques na procura ou demora uma carrada de tempo, ao nível de anos?

Re: Falácias argumentativas no debate sobre o défice II

João Miranda:

Uma crítica muito frequente ao governo é que não é possível reduzir o défice com austeridade porque a receita baixa. O que se alega é que por cada 1000 euros cortados o Estado perde mais de 1000 euros em taxas e impostos.

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É fácil de perceber que isto é falso. O Estado cobra cerca de 50% de taxas e impostos sobre o PIB. Supondo que cada 1000 euros de despesa geram X vezes de PIB quanto é que tem que ser X para que o Estado perca 1000 euros de receita? A resposta  é 1/0,5.=2. Ou seja,  1000 euros de despesa teriam que gerar 2*1000=2000 euros de PIB para que o Estado perdesse 50%*2000=1000 euros de receita.
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Este multiplicador de 2 implicaria que se aumentássemos a despesa em 1% seria possível aumentar o PIB em 2%. Se aumentássemos a despesa em 2% seria possível aumentar o PIB em 4%. Qualquer governo conseguiria aumentar o crescimento para valores chineses limitando-se para isso a gastar mais. Como é fácil de ver este multiplicador de 2 é uma miragem, sendo este muito provavelmente inferior a 1.

O João Miranda parece estar a esquecer-se de uma coisa – a teoria que diz que a despesa tem efeitos “multiplicadores” (porque se se gasta 1000 euros em qualquer coisa, a pessoa que ganhou esses 1000 euros vai gastar parte noutra coisa qualquer, e a pessoa que ganhou esses, digamos, 700 euros irá gastar 500 noutra coisa, e que recebe esses 500 vai gastar uns 300 ainda noutra coisa, de forma que temos um aumento de rendimento de 1000 + 700 + 500 + 300 + ….) considera que essas efeitos só se verificam quando a economia está a funcionar abaixo do pleno emprego. Portanto, a tentativa de redução ao absurdo de JM não faz sentido – se a teoria do multiplicador estiver correcta, um governo só conseguiria taxas de crescimento chinesas gastando muito se o desemprego fosse altíssimo (e mesmo assim esse crescimento apenas duraria até ao desemprego ficasse em valores baixos).

Pondo a coisa de outra maneira – há duas formas de fazer crescer uma economia: ou aumentando a produtividade de cada trabalhador, ou pondo mais gente a trabalhar. Os defensores da tese do multiplicador dizem que o que a despesa estimula o crescimento pela via do aumento da mão-de-obra (e dos recursos em geral) empregada, logo é evidente que essa teoria não implica que uma continuada despesa pública elevada leva a um crescimento económico continuado (se o crescimento é suposto ocorrer via diminuição do desemprego, o aumento da despesa só originará cresciment enquanto houver desemprego).

Moedas competitivas e politica económica

Pelos vistos, segundo o resumo da Business Insider, a possibilidade de haver várias moedas em competição foi um dos temas abordados no debate Paul vs. Paul (Ron a favor, Krugman contra).

A isso inspira-me a repescar o que escrevi aqui (e que, até certo ponto, retomei aqui) sobre como, num sistema com várias moedas concorrentes, seria possível (a quem o quisesse) por em prática uma “politica expansionista” por simples cooperação voluntária, sem intervenção do Estado:

Vamos à questão da reduzida massa monetária. Esse problema pode ser resolvido(?) pelo sistema de um grupo de pessoas se associar, imprimirem uns papelinhos a dizer “Vale 10 euros” (ou inventarem uma designação própria) e comprometerem-se a aceitá-los como pagamento.

Ou então nem precisam de ter uma moeda física: podem simplesmente criar um sistema contabilístico, em que começam todos com um saldo de zero euros, e quando eu compro alguma coisa ao Fernando no valor de 100 euros, passo a ter um saldo de -100 euros e ele um saldo de +100, sem nenhum dinheiro físico mudar de mãos. Se, p.ex., as regras do sistema permitirem aos membros chegarem a um saldo negativo de 500 euros, isso equivale na prática a um aumento da quantidade de moeda em circulação no valor de 500 euros por sócio (bem, não totalmente, já que essa moeda só serve para pagamentos entre os sócios).

O que eu estou a descrever não é nenhuma invenção – mais não é que um LETS, um sistema usado em muitos sítios.

A esse respeito (LETS, “moedas locais”, etc.), o economista liberal (penso que versão Chicago, não Viena ou Auburn) Tyler Cowen escreveu há uns tempos:
I am more positively inclined than is Tim. First, local currencies blossom when the nominal money supply is too low and wages and prices are sticky downwards. A boost in the real money supply is needed and the private sector will do it — albeit at high transactions costs — even if the government will not. That’s why so many of these local currencies blossomed in the 1930s but then disappeared. They did good but then they were stamped out or ceased to be necessary.
E, na actualidade, creio que essas moedas locais têm aparecido exactamente em épocas de depressão económica. A que é talvez a mais famosa de todas – o “hour” da cidade norte-americana de Ithaca – apareceu durante aquela recessão do principio dos anos 90 (a que fez o Bush pai perder as eleições). Também o WIR suiço (uma espécie de banco cooperativo cujo funcionamento faz lembrar vagamente o LETS) apareceu numa crise económica, a dos anos 30.

Bem, já temos uma maneira de aumentar a moeda em circulação sem intervenção do Estado. Mas, e quando já estamos na tal “armadilha da liquidez”, em que um aumento da moeda em circulação apenas origina um aumento da moeda que os agentes entesouram?

Aí, penso que também há uma solução (que já foi posta em prática nalguns sítios): é as “notas” emitidas pela associação/cooperativa/o-que-lhe-queiramos-chamar serem impressas dizendo “esta nota só é válida até dia 31/05/2010”. A partir dessa data, os membros da associação já não aceitariam essas notas como pagamento, e elas teriam que ser trocadas por notas novas, com desconto. Assim, quem as recebesse teria um incentivo para as gastar (no fundo, algo parecido com o modelo aqui proposto). Creio que os “créditos” argentinos funcionavam assim, embora não consiga encontrar nenhuma referencia.

Assim, se vivêssemos numa sociedade sem uma moeda oficial, talvez fosse possivel aos keynesianos organizarem-se em cooperativas de crédito mútuo (ou seja, bancos centrais descentralizados, passe o paradoxo) e os “austríacos” usarem as notas de bancos com reservas de ouro a 100%, e com o tempo talvez se visse qual seria o sistema que funcionaria melhor.

Keynesianismo, salários reais e nominais (II)

Ali em baixo, escrevo que “a macro-economia keynesiana [pode ser] abordada de duas formas micro-económicas diferentes“. O que quero dizer com isso?

O que quero dizer é que há dois possíveis mecanismo micro-económicos pelo qual a combinação de um aumento da procura agregada com preços e/ou salários rígidos pode originar um aumento da produção; não digo que esses dois mecanismos sejam totalmente diferentes (provavelmente até poderão ser dois “casos notáveis” de um mecanismo geral), mas creio que podem ter implicações distintas.

Uma perspectiva é assumindo uma situação de concorrência perfeita, em que as empresas são “price takers”, isto é, aceitam os preços (incluindo salários) estabelecidos no mercado como um dado, e em função desses preços decidem quanto vão produzir (pela famosa regra de produzir até ao custo marginal ficar igual ao preço). Nesse caso, como é que um aumento da procura agregada faz aumentar a produção? O mecanismo será que o aumento da procura (nomeadamente da procura nominal) faz aumentar os preços; mas como os salários tendem a ser rígidos, sobem (pelo menos a curto prazo) menos que os outros preços, fazendo baixar os salários reais e tornando viáveis negócios que de outra maneira não o seriam e permitindo empregar trabalhadores pouco produtivos (mas que com a baixa de salários reais tornam-se produtivos o suficiente para dar lucro empregá-los); e assim diminui o desemprego e aumenta a produção.

Para esta primeira visão, acaba por ser mais ou menos fundamental que os salários sejam mais rígidos que o conjuntos dos preços, e a baixa dos salários reais é um mecanismo fundamental do sistema (no fundo, é a ideia de tudo)  – na verdade, as políticas keynesianas não passarão de uma forma de (via inflação) transferir o rendimento dos assalariados para os patrões sem os primeiros darem muito por isso.

Outra perspectiva é assumir uma situação de concorrência imperfeita (nomeadamente de concorrência monopolística), em que (falando de forma super-simplificada) cada empresa estabelece o preço do seu produto e (dentro dos limites da sua capacidade de produção) produz e vende de acordo com as encomendas que recebe. Aí, um aumento da procura agregada fará aumentar a produção simplesmente porque, se a procura nominal aumenta e os preços se mantêm constantes, os clientes vão comprar maior quantidade de produtos, logo as empresas vão produzir mais e contratar mais gente.

Nesta segunda visão, o facto dos salários serem especialmente rígidos (em comparação com os outros preços) é largamente irrelevante – a rigidez dos salários será importante porque contribui para a rigidez geral dos preços (sobretudo, a dificuldade em descer salários originará uma dificuldade em descer preços), mais nada.

Acerca de diferentes implicações destas duas visões – uma poderá ser exactamente a que atitude ter face aos salários reais. De acordo com a primeira visão, fazer baixar os salários reais é o objectivo final disto tudo, logo qualquer coisa que os faça subir em principio será prejudicial à economia; pela segunda visão (em que o aumento da procura leva por si mesmo a um aumento da produção, e não por intermédio de uma redução dos salários reais), um aumento dos salários reais até poderá estimular a economia, se se concluir que os assalariados gastam uma maior proporção do seu rendimento do que os capitalistas (penso que a maior parte dos estudos indica o oposto – que, contrariamente à ideia geral, a taxa de poupança é a mesma nas várias classes sociais).

Erros dos agentes económicos e recessões

Murray Rotbard, o Carlos Novais e o André Azevedo Alves levantam a questão “Como é que a dada altura se dá uma concentração de erros na actuação dos agentes económicos num determinado ponto do tempo?”, dedicando-a especiamente a Krugman, Stieglitz e aos keynesianos.

Em primeiro lugar, vamos recordar a teoria keynesiana das recessões:

– os agentes económicos decidem ter mais moeda em seu poder do que a que têm (isso não implica que todos os agentes decidam aumentar o seu stock de moeda – basta que o saldo entre os que querem aumentar e os que querem reduzir seja positivo)

– para terem mais moeda em seu poder, os agentes vão querer gastar (seja em consumo, seja em investimento) menos do que ganham, ou seja vão querer vender mais do que compram

– mas como os compras do Desidério são as vendas da Natalina, o desejo de toda* a gente comprar menos do que vende apenas leva a que as vendas totais caiam (*não é necessário ser “toda a gente”, basta o tal saldo liquido referido 2 pontos acima)

– contra-argumento: se as vendas caiem, os produtores vão baixar os preços; com os preços mais baixos o valor real da moeda aumenta, os agentes já não têm razão para querer vender mais do que compram e a economia volta a funcionar

-contra-contra-argumento: os agentes demoram a ajustar os preços, porque, como dito aqui, pensar em mudar os preços, calcular que novos preços praticar e mudá-los efectivamente (imprimindo novos menus, p.ex.) tem um custo; alem disso, como a maior parte dos agentes não vão baixar substancialmente os seus preços antes dos seus fornecedores também os baixarem substancialmente, pode levar anos até à combinação de pequenas baixas consecutivas de preços produzir a tal baixa geral de preços necessária para pôr a economia outra vez a funcionar

Essencialmente, a teoria keynesiana das recessões é isto (depois há uma carrada de pontos adicionais – armadilhas de liquidez, aceleradores, multiplicadores, “balance sheets“, etc. – mas não afectam o fundamental).

Aliás, a teoria monetarista das recessões também é essencialmente isto – os keynesianos tendem a considerar que as recessões ocorrem porque os agentes querem deter mais moeda, enquanto os monetaristas tendem a achar que as recessões ocorrem porque a quantidade de moeda diminui; mas na prática, e atendendo às várias definições de “moeda” – M1 M2, M3,…  – a diferença entre “os agentes querem deter mais moeda” e “a quantidade de moeda em circulação diminuir” é bastante ténue (se eu transferir dinheiro de uma conta a prazo para uma à ordem, isso tanto pode ser considerado um aumento da procura de M1 como uma diminuição da oferta de M2).

Agora, vamos regressar à questão dos erros dos agentes e de porque razão eles se concentram num determinado momento. Mais exactamente, no caso do modelo keynesiano (ou keynesiano/monetarista) das recessões, que erros os agentes cometeram? A única coisa aqui que pode ser considerado um erro é não baixarem logo os preços. Portanto, porque razão é que a maior parte dos agentes cometem, ao mesmo tempo, o erro de praticar preços mais altos do que os adequados?

Imagine-se que, esta noite, por volta das 5 da manhã, a temperatura terrestre descia 10º; seria de esperar que muita gente amanhã vestisse roupa fresca (pelo menos, no Hemisfério Norte) e só quando saíssem à rua é que percebessem que estava muito mais frio do que esperavam; não há nenhum mistério em muita gente cometer o euro de se vestir “à fresca” – afinal, se toda a gente foi afectada por um descida inesperada da temperatura, é natural que comentam o mesmo erro ao vestir-se.

Da mesma maneira, se houver um aumento geral da procura de moeda, e portanto, uma redução geral da procura de bens e serviços (o que não exclui que possa haver um aumento da procura de alguns bens ou serviços especificos), é também perfeitamente normal que a maior parte das empresas se veja com preços mais elevados do deveria ser; da mesma maneira, nenhum mistério aqui.

De qualquer forma, sinceramente, nem me parece fazer grande sentido dirigir a pergunta “Como é que a dada altura se dá uma concentração de erros na actuação dos agentes económicos num determinado ponto do tempo?” especialmente aos keynesianos; afinal, na teoria keynesiana das recessões os “erros dos agentes” nem desempenham grande papel no mecanismo das crises; mesmo os tais preços demasiado altos que demoram a ser reduzidos nem chegam bem a ser “erros”, mas simplesmente o resultado de tanto os nossos processos mentais como as decisões organizacionais não ocorreram a uma velocidade instantânea. De certa maneira, a visão keynesiana das recessões é uma espécie de “several rights make a wrong”: uma carrada de agentes, todos eles tomando a melhor decisão possivel (dentro dos limites humanos à capacidade de tomar decisões perfeitas), e a combinação de decisões individualmente boas produzindo um mau resultado. Aliás, tanto nos anos 30 como agora, grande parte da polémica entre keynesianos e “anti-keynesianos” consiste nos “anti-keynesianos” a dizer que a crise foi provocada por erros, maus investimentos, trabalhadores especializando-se nos ramos errados, etc., enquanto os keynesianos dizem que é apenas um problema de procura agregada insuficiente

P.S. com “anti-keynesianos” estou, como é óbvio, apenas referindo-me aos críticos “pela direita” do keynesianismo; não estou incluindo marxistas,  “economistas radicais“, etc.

O que é a taxa de juro

A pergunta continua a não ser consensual na doutrina económica, especial, naquelas (quase todas) que defendem que a decisão seja por decreto, mas sempre dirá que ajusta a taxa de juro à inflação (ou expectativa… ou whatever) e ao crescimento e produtividade do capital. Os Keynesianos dirão que é o prémio para se afastar de liquidez, o que é um bocado estranho no sentido em que qualquer preço então (o de uma cerveja por exemplo) representa um prémio para se afastar de liquidez -> moeda). Os austríacos dizem que o juro representa simplesmente uma preferência subjectiva temporal (não está sujeito a óptimos ou optimizações sociais) entre o consumo presente e bens futuros.

The Austrians on Interest

When it comes to explaining the coordinating function of market prices, Austrians assign a very important role to interest rates, for they steer the deployment of resources over time. Loosely speaking, a high interest rate means that consumers are relatively impatient, and penalize entrepreneurs heavily when they tie up resources in long-term projects. In contrast, a low interest rate is the market’s green light to entrepreneurs that consumers are willing to wait longer for the finished product, and so it is acceptable to tie up resources in projects that will produce valuable goods and services at a much later date.

In the Austrian conception, it is the interest rate that allows the financial decisions of households to interact with the physical capital structure, so that producers transform resources in the ways that best satisfy consumer preferences. Consider a simple example that I use for undergraduates: Suppose the economy is in an initial equilibrium where households save 5 percent of their income. Then the households decide that they want to have more for their retirement years, because they don’t want their standard of living to plummet once they stop working. So all the households in the community begin saving 10 percent of their income.

In the Austrian view, the interest rate is the primary mechanism through which the economy adjusts to the change in preferences. (It’s not that people switched from buying hot dogs to hamburgers; instead they switched from buying “present consumption” to buying “future consumption.”) The increased household saving pushes down interest rates, and at the lower rates businesses can start long-term projects. From the individual entrepreneur’s point of view, the interest rate affects the profitability of longer projects more than shorter ones (as a simple “present-discounted-value” calculation shows). So a lower interest rate doesn’t merely stimulate “investment” but actually gives a greater inducement to investment in durable, long-term goods, as opposed to investment in nondurable, short-term goods.

How is it possible that the community as a whole can have more income in, say, 30 years? Obviously the households think it is financially possible, because their bank balances rise exponentially with the higher savings rate. But technologically speaking, this is possible because the composition of physical output changes. The households have cut back on going out to dinner, buying iPods, and so on, in order to double their savings rate. This means that restaurants, Apple stores, and other businesses catering to consumption will have to lay off workers and scale back their operations. But that means labor and other resources are freed up to expand output in the sectors making drill presses, tractors, and new factories.

In 30 years, the economy will be physically capable of much higher output (including the production of consumer goods), because at that time, workers will be using a larger accumulation of capital or investment goods made during the previous three decades. That is how everybody can have a higher standard of living, through savings.

My Reply to Krugman on Austrian Business-Cycle Theory, Robert P. Murphy

My Reply to Krugman on Austrian Business-Cycle Theory

Conclusion

I do not claim that the Austrian theory of the business cycle captures every pertinent feature of modern recessions. What I do claim is that a theory — including any of Paul Krugman’s Keynesian models — that neglects the distortion of the capital structure during boom periods cannot possibly hope to accurately prescribe policy solutions after a crash.

FINAL REPORT OF THE NATIONAL COMMISSION ON THE CAUSES OF THE FINANCIAL AND ECONOMIC CRISIS IN THE UNITED STATE

Um excelente documento, pese embora discordâncias. Contém muita informação e interpretação e análise de forma simples e directa, útil para concordar e discordar. Contém também declarações de “dissent“.
Uma delas diz:
Conclusions:
• The credit bubble was an essential cause of the financial crisis.
• Global capital lows lowered the price of capital in the United States and much
of Europe.
• Over time, investors lowered the return they required for risky investments.
Their preferences may have changed, they may have adopted an irrational bubble mentality, or they may have mistakenly assumed that the world had become
safer. This inlated prices for risky assets.
• U.S. monetary policy may have contributed to the credit bubble but did not
cause it.”
Parece existir uma obsessão em desculpar a política monetária, eu diria que o sistema se protege. De certa forma o problema não é a política monetária mas sim o sistema monetário.
Sempre fica uma pergunta para quem atribui inflação de preços (e bolhas de activos) a outros factores:
Se a quantidade de moeda fosse fixa, também existiriam bolhas e/ou inflação de preços no consumidor? Quando os keynesianos atribuem a inflação dos anos 70 a factores não monetários, será que acreditam que o nível geral de preços (e/ou activos) pode subir com a quantidade de moeda fixa?

Juros baixos: Transferência de riqueza entre quem poupa e os mais endividados (os que tiram partido da financerização)

Vatican bank chief issues warning about US, European economic policies

“Zero interest rates factually equal a de facto transfer of wealth from he who was a virtuous saver (although not for Keynes) to he who has become virtuously (for Keynes) indebted,” he said. “Practically, it’s about a hidden tax on poor savers, a tax transferred to the wealthy, (that is), over-indebted states, business people and bankers.”

Although the alternative to zero interest in such a situation is economic collapse and eventual default, the zero-rates “are not sustainable and are dangerous,” Tedeschi warned.

“They destroy savings, which is an essential resource to create the base for bank credit; they promote speculation on real estate and securities, create illusory artificial values rather than scaling them down; they push consumption to more risky debt; they alter the market with artificial values and thus lead to belief that the very markets do not know how to correct themselves.”

The biggest danger, Tedeschi said, is that zero interest rates “permit, or impose governments into management of the economy, without correcting inefficiency and facilitating distortions in the competition.”

He warned that the greatest economic impacts may be on the way.

Teoria monetária

O autor está completamente a leste da teoria dos ciclos económicos, mas o texto vale a pena pela tentativa de perceber o actual sistema monetário, coisa que os próprios seus defensores parecem perceber pouco. É um caso de uma máquina dirigida por quem a defende mas não domina.

Monetary system not behaving according to textbooks – system is wrong!

” Bank lending is not “reserve constrained”. Banks lend to any credit worthy customer they can find and then worry about their reserve positions afterwards. If they are short of reserves (their reserve accounts have to be in positive balance each day and in some countries central banks require certain ratios to be maintained) then they borrow from each other in the interbank market or, ultimately, they will borrow from the central bank through the so-called discount window. They are reluctant to use the latter facility because it carries a penalty (higher interest cost).”

Típico como apesar de estar analisar correctamente o processo, não vê problema nenhum em si na criação de moeda para conceder crédito porque nesse acto, um passivo e activo têm lugar simultaneamente, quando devia ter em conta que a criação de moeda é um activo imediato e o crédito concedido um activo a prazo. Mas no fundo, os ciclos económicos dão-se porque existe uma disfunção entre o capital real (poupança real prévia) e o capital nominal (expresso em moeda criada para “sustentar” apenas nominalmente esse investimento – o que não assegura que capital real sob a forma de bens de capital exista para sustentar esse investimento).
“The important point though is that all transactions at the non-government level balance out – they “net to zero”. For every asset that is created so there is a corresponding liability – $-for-$. So credit expansion always nets to zero! (…)

When a bank makes a $A-denominated loan it simultaneously creates an equal $A-denominated deposit. So it buys an asset (the borrower’s IOU) and creates a deposit (bank liability). For the borrower, the IOU is a liability and the deposit is an asset (money). The bank does this in the expectation that the borrower will demand HPM (withdraw the deposit) and spend it. The act of spending then shifts reserves between banks.

These bank liabilities (deposits) become “money” within the non-government sector. But you can see that nothing net has been created.”

Como já disse num post anterior, dada a incompreensão geral sob os ciclos e as crise, era preferível no actual sistema que os DO tivessem 100% de reservas (reduzindo os efeitos dos ciclos económicos) e toda a criação de moeda fosse exclusivamente por via de financiamento de défices, que tem um efeito inflacionário (nos preços de bens de consumo) muito mais imediato (o que não acontece com a expansão de moeda para concessão de crédito que tende a inflacionar preços de bens de capital e financeiros que não têm expressão nos números tradicionais de inflação), o que tornaria mais visível os excessos.

Mas claro que um sistema monetário livre, com uso de ouro e prata com reservas de 100% faria regressar a sanidade e estabilidade para todos, com ganhos para a população em geral, penalizando os ganhos da financeirização (os que mais perto estão da capacidade de criação de crédito) que autores de esquerda apontam instintivamente mas sem saber bem do que falam.