Emily Brontë e os investimentos financeiros

Um aspeto até há pouco tempo largamente ignorado da vida da escritora Emily Brontë, autora de “O Monte dos Vendavais” (e nascida há 203 anos, a 1818/07/30) , foi o seu papel como “gestora de investimentos” da família, nomeadamente em ações dos caminhos de ferro.

Uma interpretação que tem sido feita disso é que poria em causa a ideia de Emily como alguém vivendo um bocado fora do mundo (p.ex., a forma como a irmã a apresenta no prefácio a “O Monte…”), passando a maior parte do tempo a deambular pelos pântanos na companhia do seu cão…

Mas uma ideia que me ocorre é se, para uma pessoa desse tipo, a ter alguma espécie de atividade empresarial, investir em ações até não será a mais adequada? Ou pelo menos, mais apropriada do que se meter na “economia real”, no sentido de ser algo mais puramente intelectual, sem implicar grande envolvimento com a vida prática do dia a dia.

Quando primeiro li sobre isso, o mais estranho que achei foi mesmo como alguém vivendo numa zona remota, no século XIX, investia em ações – isto é, não é que ela pudesse dar ordens de compra e venda através da sua aplicação de e-banking; no entanto, já cheguei à conclusão que, as irmãs Brontë nem viviam numa zona tão remota assim, e os investimentos dela provavelmente também não seriam daquelas de estar sempre a comprar e vender.

O referendo húngaro

A respeito do referendo húngaro anda tudo a repetir a mantra “direitos fundamentais não se referendam” (posição que nunca me pareceu fazer grande sentido) e a ignorar o que talvez seja mais importante aqui: é que, pelo menos pelas noticias na imprensa sobre o referendo, as perguntas que vão ser feitas parecem-me significativamente mais brandas do que a lei propriamente dita [pdf], pelo que, a ser assim, não será um verdadeiro referendo à lei, mas uma manobra de propaganda.

Fazendo uma analogia de sinal contrário, era como se um governo anticlerical proibisse as igrejas de darem catequese a menores e depois, face à polemica, convocasse um referendo em que a pergunta fosse sobre aulas de religiao obrigatórias na escola pública (e depois, se a maioria fosse contra aulas de religião obrigatórias, apresentasse isso como um voto a favor da lei proibindo a catequese a menores).

Partido Comunista Alemão à beira de ser ilegalizado?

A comissão de eleições alemã não permitiu o Partido Comunista Alemão (DKP)* de concorrer às próximas eleições, alegando questões formais; aparentemente isso até pode abrir caminho a que o registo legal do partido seja anulado.

*Não confundir com o Partido “A Esquerda” (Die Linke)

Election officials ban German Communist Party from running candidates

A oposição de esquerda em Cuba

Uma série de fontes e artigos sobre, de ou relacionadas com o assunto (via red_dilettante):

Cuba’s Democratic Left, por James Bloodworth (Dissent, 2015)

Cuba: las desigualdades se tornan visibles. Consecuencias de la economía de escasez y reformas, por Katrin Hansing e Uwe Optenhögel (Nueva Sociedad, 2015)

The Apple of Discord in the Cuban Constitution, por Ailynn Torres Santana (North American Congress on Latin America, 2018)

Socialism from Above: Assessing the Cuban Experience, por Ailynn Torres Santana  (Dissent, 2019)

Los significados de las protestas juveniles en Cuba, por Rafael Rojas  (Nueva Sociedad, 2020)

La actualidad de la revolución, por Iramís Rosique Cárdenas (Red en Defensa de la Humanidad, 2021)

Anatomía del 27N cubano y su circunstancia, por Rafael Hernández (Nueva Sociedad, 2021)

Reclamo por la libertad de los detenidos en Cuba, pelo coletivo Comunistas (2021)

Los sucesos del 11 de julio, por La Joven Cuba (2021)

Libertários: Left & Right – Episódios I e II

Alguns vídeos que eu o Carlos Novais temos feito quinzenalmente:

[Vamos lá ver se percebem alguma coisa do que eu digo, que eu sinceramente acho que tenho mais jeito para escrever do que para falar]

A greve (multiracial) dos mineiros do Alabama em 1908

A 8 de julho de 1908, em Birmingham, Alabama (no coração do “velho Sul” dos EUA),  4 mil mineiros, brancos e negros, entram em greve.

Birmingham district coal strike of 1908, publicado no Libcom.org:

A short history of the multiracial coal miners’ strikes in Birmingham, Alabama, in the early 20th century which were violently repressed by mine owners and the state.

Os economistas e o liberalismo económico

A ligação é muito menor do que a imaginação popular julga, mas apesar de tudo há alguma.

Is economics an excuse for inaction?, por Noah Smith (“No, it is not. But there’s a reason people think it is.”)

Já agora, esta passagem, «It turns out that the “economics” most people interface with is not even mainstream academic economics. It’s a pop version of conservative ideology, broadcast by a network of well-funded partisan think tanks, right-leaning publications, and TV hucksters. So-called “supply-side economists” were often not even trained economists, but political columnists and commentators like Larry Kudlow and Jude Wanniski. », fez-me lembrar do Camilo Lourenço e do José Gomes Ferreira.

Ainda sobre isto, ver também estes artigos de há mais de dez anos, n’A Douta Ignorância, sobre a divergência em economia.

“Chumbos” por faltas

A respeito desta história, lembro-me de, há uns 15 anos, o então governo do PS ter falado em acabar com as reprovações por faltas, mas isso gerou um escarcéu entre os mais conservadores (nomeadamente o CDS e o Paulo Portas) e a ideia acabou por ser abandonada.

A “Revolução Americana” foi mesmo uma revolução

America Also Had A Revolution, por Harry Braverman (publicado originalmente no American Socialist, volume 3, número 9, de setembro de 1956 – PDF)

Revisão crítica ao livro “The American Revolution Considered As A Social Movement“, de Franklin Jameson; tanto Braverman como Jameson argumentavam que a “Revolução Americana” não tinha sido uma simples guerra de independência mas uma autêntica luta de classes (com os sectores desfavorecidas a apoiarem a revolução e as classes altas – com a exceção dos donos das plantações do Sul – a apoiarem a Coroa britânica), acompanhada de uma reforma agrária radical em muitas regiões do pais, separação entre a Igreja e o Estado, alargamento do sufrágio eleitoral e mesmo redução da escravatura.

Sobre isto, ver também este meu post de 2013, em que cito o paleoconservador Robert Nisbet e o “liberal”/neocoservador Seymour Martin Lipset a dizerem sobre a Revolução Americana mais ou menos o mesmo que o trotskista Braverman diz aqui.

Mike Gravel (1930-2021)

Mike Gravel, former US senator for Alaska, dies at 91 (Associated Press).

Um dos meus endorsments nas eleições de 2008 (e que foi de tal maneira esquecido que a dada altura tive que lembrar a um blogue dedicado a essas eleições que ele continuava a ser candidato).