Covid-falcões, covid-pombas e os “falsos positivos”

Uma coisa que tenho notado é que, comparado com o início da pandemia, parece ter havido uma quase total inversão de posições entre covid-falcões* e covid-pombas* sobre a questão dos eventuais “falsos positivos”.

Ao principio, eram os covid-pombas que diziam que as estatisticas estavam a ser distorcidas por não se estar a contar com os assintomáticos (e com as pessoas com sintomas leves) e por isso a taxa de mortalidade parecia muito maior do que era efetivamente; inicialmente o grande exemplo dos covid-pombas era o Diamond Princess, onde o facto de se te testado toda a gente permitia, segundo eles, ter uma ideia da verdadeira taxa de mortalidade. E, sobretudo, quando se começaram a fazer testes serológicos, alguns indicando que percentagens relativamente altas da população já teriam tido covid, eram os covid-pombas a embandeirar em arco com esses estudos (de novo, dizendo que isso significava que a verdadeira taxa de mortalidade era muito menor), e eram os covid-falcões a desvalorizá-los, exatamente dizendo que uma pequena probabilidade de falsos positivos poderia afetar bastante os resultados (dando a entender que muito mais gente teria tido covid do que na realidade).

A partir de certa altura houve uma inversão, e passaram a ser os covid-pombas a insistir na questão dos falsos positivos (a inversão não é total, porque há uma subtil diferença: parece-me que os covid-falcões insistiam mais nos falsos positivos nos testes serológicos – que supostamente vêm ser a pessoa já teve covid – enquanto os covid-pombas falam sobretudo nos falsos positivos nos testes PCR – que supostamente vêm se a pessoa tem, neste momento, covid); diga-se que, sinceramente, essa ênfase dos covid-pombas nos falsos positivos me parece um bocado irracional – a mim parece-me que, se existirem efetivamente muitos falsos positivos, isso significa que a situação é mais grave do que parece, já que:

a) a taxa de mortalidade será maior do que as estatisticas dizem (já que o denominador estará inflacionado)

b) estamos mais longe da imunidade comunitária do que se julga

c) se calhar quer dizer que o ritmo de crescimento da doença é maior do que se julga (este último ponto não tenho tanta certeza, mas dá-me a ideia que, quanto menos gente estiver realmente infetada, maior será a proporção de falsos positivos entre os “diagnosticados”; um corolário disso prece-me ser que se o número de realmente infetados estiver a crescer, os falsos positivos farão o crescimento percentual dia-a-dia parecer menor do que o crescimento real)

[Atenção que estes pontos só são relevantes para quem acredita que, ainda que com muitos falsos positivos, a covid-19 existe realmente; para quem ache que a covid-19 nem sequer existe e que todos os casos são falsos positivos, estas objeções que apresento realmente não se aplicam]

Dito isto, tenho esperança que a maioria dos assintomáticos sejam verdadeiros assintomáticos e não falsos positivos, por uma razão – se fossem sobretudo falsos positivos, já teríamos tido muito mais casos de aparentes reinfeções, nas variantes “falso positivo antes – falso positivo depois”, “falso positivo antes – verdadeiro positivo depois” ou “verdadeiro positivo antes – falso positivo depois”; no entanto as reinfeções parecem ser bastante raras (e normalmente são consideradas noticia de jornal, de tão raras que são); ou será que há alguma política de só em casos limite fazer testes a ex-infetados (o que faria haver menos supostas “reinfeções”)?

*para quem não perceba bem esta terminologia, com “covid-falcões” refiro-me ao que os covid-pombas normalmente chamam “covideiros”, e com “covid-pombas” refiro-me ao que os covid-falcões normalmente chamam “covidiotas”

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